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quinta-feira, 25 de junho de 2026

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O DIFERENCIAL DOS MERGULHADORES DA MARINHA NO COMBATE AO TRÁFICO DE DROGAS


Como a preparação rigorosa contribui para tornar militares aptos a apoiar o Estado nas operações de busca e apreensão

O acionamento de mergulhadores da Marinha do Brasil (MB) em ações de combate ao tráfico de drogas nos portos brasileiros tem exposto uma nova técnica utilizada pelo crime para burlar a fiscalização: a de ocultar a carga ilícita nos cascos de embarcações mercantes com destino à Europa e à Ásia, escondida em uma cavidade do casco responsável por captar água do mar e refrigerar o maquinário. Esses compartimentos, conhecidos como sea chests ou caixas de mar, estão localizados a cerca de 10 metros de profundidade, o que torna a ação complexa e arriscada.

Na mais recente operação conjunta com a Polícia Federal (PF) a Receita Federal do Brasil (RFB) e a Guarda Portuária (GPort), no Porto de Santos, em maio deste ano, os militares encontraram mais de 340 kg de cocaína no casco do Navio Mercante “Green K-Max 1”.

LEIA TAMBÉM: OPERAÇÃO INTERAGÊNCIAS LOCALIZA E APREENDE 341,75 KG DE COCAÍNA NO PORTO DE SANTOS

Desde 2020, quando começaram a ser requisitados para esse tipo de ação, os mergulhadores da Marinha lotados no Comando do Grupamento de Patrulha Naval do Sul-Sudeste (ComGptPatNavSSE), em Santos (SP), já contribuíram com a apreensão de mais de 4 toneladas de drogas, após abordagem a cerca de 300 cargueiros.

Uma das mais significativas apreensões aconteceu em abril de 2023, antes do decreto federal que autorizou o emprego das Forças Armadas em Operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em portos e aeroportos naquele ano.

“Com marcos importantes, apreendemos, em 2023, 780 kg de drogas em um único navio e, recentemente, em maio de 2026, realizamos nossa última apreensão, 341 kg”, conta um Mergulhador Escafandrista do ComGptPatNavSSE com 23 anos de especialização, cuja identidade será mantida sigilo por questões de segurança. 

Assista ao vídeo da operação mais recente no Porto de Santos:

Apesar de ser uma frente de atuação recente, a complexidade e o risco são elementos com os quais os escafandristas já estão acostumados. Nosso dia a dia é operar embaixo dos cascos dos navios da Marinha para realizar reparos ou manutenções. Somos a maior referência nesse assunto”, explica o Encarregado da Seção de Mergulho a Ar do Centro de Instrução e Adestramento Almirante Áttila Monteiro Aché (CIAMA), Capitão de Corveta (Mergulhador Escafandrista) Phillip da Silva Mendes.

O CIAMA é a instituição voltada para formação militar nas áreas de submarinos, mergulho e operações especiais. Segundo o Oficial, o mergulho de abordagem a cascos de navios mercantes está cada vez mais recorrente, o que motivou a inclusão do tema nos cursos de mergulho.

Os mergulhadores também aprendem natação de resgate a partir de navios e aeronaves, técnicas de socorro, corte e solda submarina, salvamento e reparo subaquático, e diferentes modalidades de mergulho – autônomo, dependente e saturado.

Formação rigorosa

Para se tornarem referência nessa atividade, os militares atravessam uma formação rígida. Segundo o Capitão de Corveta (Mergulhador Escafandrista) Silva Mendes, a proporção de alunos que desistem do curso ou que não atingem os requisitos mínimos exigidos chega a cerca de 50%. “O aluno é submetido a diversos testes debaixo d’água, possuindo pouco tempo para executá-los e muitas vezes com privação da respiração. A aquacidade (competência, domínio e conforto do mergulhador no ambiente aquático) e o controle emocional são imperativos, tornando-se grandes divisores de águas”, avalia.

Confira o episódio do Isso é Marinha, sobre os Mergulhadores Escafandristas:

Após o curso, os militares são designados para a Base de Socorro e Salvamento Submarino Almirante Castro e Silva (BACS), o Navio de Socorro Submarino (NSS) “Guillobel”, os Grupamentos de Mergulho vinculados aos Distritos Navais de todo o Brasil, além da Escola de Mergulho do próprio CIAMA. “Em todos os locais, estão aptos a realizar mergulhos tanto para socorrer e salvar vidas, materiais e embarcações, como para realizar diversos reparos e apoiar em qualquer tipo de serviço submerso”, explica o Capitão de Corveta (Mergulhador Escafandrista) Silva Mendes.

Autora/Fonte: Por Capitão-Tenente (RM2-T) Daniela Meireles - Agência Marinha de Notícias



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