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quarta-feira, 8 de julho de 2026

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MPF DENUNCIA DEZ HOMENS LIGADOS À MÁFIA ITALIANA POR TRÁFICO INTERNACIONAL DE COCAÍNA

 

Sete brasileiros, um sérvio, um espanhol e um colombiano são apontados como integrantes de uma organização criminosa

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou dez homens apontados como integrantes de uma organização criminosa especializada no tráfico internacional de cocaína do Brasil para países da Europa e da África, por meio de rotas marítimas. Conforme destacado no documento, obtido pelo g1 na última quarta-feira (1º), o grupo teria ligação com a máfia italiana 'Ndrangheta.

De acordo com a Polícia Federal, sete brasileiros, um sérvio, um espanhol e um colombiano teriam transportado mais de duas toneladas da droga em apenas um ano. Por isso, eles foram alvos da Operação Narco Sky, deflagrada pela corporação como um desdobramento da Operação Narco Vela.

Relembre

A Operação Narco Vela investiga o uso de embarcações equipadas para atravessar o oceano Atlântico com entorpecentes. A ação gerou desdobramentos, entre eles a Operação Narco Fluxo, que repercutiu nacionalmente após ter como alvo os funkeiros MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além do empresário Rodrigo Morgado. Eles não são investigados na Operação Narco Sky.

O MPF ofereceu a denúncia contra os homens, pedindo para que eles sejam condenados por tráfico internacional de drogas; associação para o tráfico transnacional; e promoção e integração de organização criminosa transnacional.

"As investigações também apontaram vínculos operacionais entre essa estrutura e organizações criminosas de abrangência global, como a 'Ndrangheta, máfia italiana com presença em diversos países, circunstância que acentua a gravidade concreta da atuação criminosa", destacou a denúncia.

O órgão federal acrescentou que os denunciados exerceram funções previamente definidas e essenciais para o funcionamento da organização criminosa. "As provas reunidas demonstram que suas condutas não consistiam em colaborações ocasionais, mas integravam uma estrutura estável e permanente, organizada para a prática reiterada de tráfico internacional de drogas", ressaltou o MPF.

Operação Narco Sky

A 5ª Vara Federal de Santos (SP) expediu dez mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão contra os homens. As ordens judiciais fazem parte da Operação Narco Sky, deflagrada no último dia 2, em endereços localizados nos estados de São Paulo, do Rio Grande do Sul e do Pará.

A decisão também determinou o bloqueio e o sequestro de mais de R$ 631 milhões em bens, valores e criptoativos vinculados aos envolvidos. A quantia corresponde a três toneladas de cocaína apreendidas no veleiro que deu origem à Operação Narco Vela.

"Ficou evidenciado a existência de uma estrutura hierarquizada, com especialização técnica e alta capacidade de articular operações transnacionais realizadas, inclusive, com a organização mafiosa italiana 'Ndrangheta, com integração logística, comunicação segura e recursos patrimoniais", afirmou a decisão, destacando que a máfia é reconhecida pela presença em mais de 40 países.

Cooperação internacional

As autoridades francesas compartilharam provas por meio de uma cooperação jurídica internacional. Desta forma, a PF teve acesso aos dados apreendidos nos servidores da SKY ECC, uma plataforma de comunicação criptografada.

"Segundo apurado, a referida plataforma foi amplamente utilizada pelos investigados com o propósito de ocultar tratativas criminosas referentes a diversas partidas de cocaína à Europa, mediante a utilização de criptografia avançada, com o desiderato específico de dificultar a interceptação e rastreamento das comunicações por autoridades estatais", explicou a decisão.

A análise do material obtido permitiu a identificação de ao menos sete casos ocorridos em 2020, totalizando o transporte ilegal de 2,3 toneladas de cocaína por meio de navios, em portos do Brasil e também da Espanha, Itália e Holanda.

Uma das ocorrências aconteceu no Porto de Santos com a inserção de 80 kg de cocaína em um navio, em 30 de março de 2020. 

Houve também a apreensão de 321 kg de pasta base da droga em um imóvel em Guarujá (SP), em 8 de julho daquele ano. Neste caso, os envolvidos souberam da ação policial e trocaram o esconderijo da outra parte da carga que estava dividida em 219 tijolos.

"Foi identificado um núcleo de direção e financiamento localizado fora do país que providencia recursos e toma decisões estratégicas; um comando nacional responsável pela coordenação logística em território brasileiro; e células operacionais encarregadas do preparo, armazenamento e movimentação física da droga", ressaltou a decisão.

Alvos da operação

Além de expedir os mandados, a 5ª Vara Federal autorizou a inclusão de dois homens na Difusão Vermelha da Interpol. A decisão foi tomada diante da possibilidade de o sérvio Antun Mrdeza, conhecido como Nikola Boros ou Jhon Gotti, e do colombiano Pedro Alonso Camacho Fernandez, o Vince, estarem fora do Brasil.

Ainda de acordo com a decisão, o sérvio Antun e o espanhol Alejandro Salgado Vega, o Tigre, são considerados lideranças europeias do grupo.

A PF ainda identificou Antun como integrante de um novo centro de comando global do narcotráfico, apontado por autoridades colombianas como uma rede interconectada utilizada para movimentar os maiores carregamentos de cocaína do mundo, possuindo investigações em ao menos sete países.

Veja o nome dos outros sete envolvidos, que foram presos:

  • Marco Aurélio de Souza, conhecido como Lelinho
  • Rafael Gonçalves Sayão, o Cabelinho
  • Antônio Greg Ribeiro Pinheiro, o Fisherman
  • Fábio Rodrigues Ulhoa Cintra, o Sapão
  • Walter Pires Junior, o Waltinho
  • Ivan de Freitas Santos
  • Klaus de Castro Rios Motta e Silva

Fonte: g1 Santos e Região


* Esclarecemos que a a publicação é de inteira responsabilidade do autor e do veículo que a divulgou. A nossa missão ao republicar é manter informado àqueles que nos acompanham, de todos os fatos, que de alguma forma, estejam relacionados com a Segurança Portuária em todo o seu contexto. A matéria veiculada apresenta cunho jornalístico e informativo, inexistindo qualquer crítica política ou juízo de valor.  O espaço está aberto para a manifestação das pessoas e empresas citadas nesta reportagem.     

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sexta-feira, 12 de junho de 2026

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COMO BARCOS REPLETOS DE COCAÍNA LEVARAM PF AO ELO DO PCC COM CHEFÃO DA MÁFIA ITALIANA


A investigação levou à decretação da prisão preventiva de dez suspeitos, entre eles o mafioso sérvio Antun Mrdeza, o "Nikola Boros"

A Operação Narco Sky, da Polícia Federal (PF), aponta ao menos sete missões marítimas usadas pelo crime organizado para enviar grandes carregamentos de cocaína do Brasil para a Europa. As ações foram comandadas, segundo a PF, por um núcleo formado por líderes internacionais do tráfico e operadores brasileiros ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

A investigação levou à decretação da prisão preventiva de dez suspeitos, entre eles o mafioso sérvio Antun Mrdeza, o "Nikola Boros", apontado como integrante da máfia italiana 'Ndrangheta' aliada à facção paulista.

Segundo a investigação, o esquema tinha "elevada envergadura e especialização" e era dividido em três núcleos. O primeiro, baseado fora do país, era responsável pelo financiamento das operações e pelas decisões estratégicas do grupo.

O segundo atuava no comando nacional da logística em território brasileiro, enquanto o terceiro reunia células operacionais encarregadas do preparo, armazenamento e transporte físico da cocaína.

A investigação da Operação Narco Sky teve origem em dados telemáticos compartilhados com a Polícia Federal por meio de cooperação jurídica internacional. As informações, obtidas com auxílio do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional, do Ministério da Justiça, foram submetidas a análise pericial da PF em São Paulo.

A partir do cruzamento de mensagens, registros digitais e comunicações criptografadas, os investigadores reconstruíram a estrutura da organização criminosa (ORCRIM), identificaram seus principais integrantes e mapearam as operações usadas para enviar cocaína do Brasil à Europa.

Veja a seguir os detalhes de sete missões marítimas do esquema internacional do tráfico de drogas, alvo da Operação Narco Sky.

Venezia

Em 30 de agosto de 2020, o grupo criminoso conseguiu embarcar cerca de 340 quilos de cocaína no navio Venezia, enquanto a embarcação estava atracada no Porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul. A operação, considerada de alta complexidade pela PF, foi monitorada em tempo real por integrantes da organização.

As interceptações mostram que Marco Aurélio de Souza, conhecido como "Lelinho", coordenava a logística da ação a partir de São Paulo. Ele recebia atualizações constantes de Pedro Alonso Camacho Fernandez, o "Vince", responsável por informar a chegada da droga às proximidades do porto em um veículo terrestre.

Ambos são alvo de mandados de prisão preventiva expedidos pela 5.ª Vara Federal de Santos.

O momento de carregar o navio com a droga também foi acompanhado de perto pelos líderes do esquema. Segundo a PF, Alejandro Salgado Vega, o "Tigre", participou diretamente da definição do instante exato em que a embarcação de apoio deveria se aproximar do cargueiro, buscando aproveitar pontos cegos ou períodos de menor vigilância no terminal portuário.

"Tigre" também é alvo de um pedido de prisão preventiva expedido pela Justiça.

Para os investigadores, a operação demonstra "alta capacidade da organização criminosa de mobilizar equipes, transportar centenas de quilos de cocaína por via terrestre e executar uma inserção marítima de alta complexidade, revelando elevado grau de profissionalismo e uma cadeia de comando clara e eficiente".

Panorea

A missão do grupo criminoso em março de 2020 tinha como objetivo embarcar 500 quilos de cocaína no navio mercante Panorea para envio ao exterior. A ação exigiu "planejamento detalhado" e mobilização de diferentes operadores ligados à organização criminosa internacional investigada na Operação Narco Sky.

A coordenação da logística em território brasileiro ficou a cargo de "Lelinho", apontado nessa missão pela PF como responsável por articular o apoio em terra, a cooptação de tripulantes estrangeiros e a aproximação de embarcações usadas no transbordo da droga para o navio.

As investigações mostram que a primeira tentativa de inserção da cocaína ocorreu em 28 de março de 2020, quando o cargueiro estava fundeado no Porto de Paranaguá, no Paraná. A operação acabou frustrada por causa do risco de detecção. Dois dias depois, já atracado no Porto de Santos, o grupo conseguiu concluir a contaminação da embarcação.

Apesar de o plano inicial prever o embarque de meia tonelada de cocaína, dificuldades logísticas reduziram a carga efetivamente colocada no navio para cerca de 80 quilos. A PF afirma que os investigados utilizaram bolsas estanques, boias de sustentação, lanternas e dispositivos de geolocalização para ocultar e posicionar a droga, o que demonstraria o "elevado grau de sofisticação da operação".

Las Palmas

Dois meses depois, em maio de 2020, a organização criminosa conseguiu esconder cerca de 14 quilos de cocaína no compartimento do motor de um contêiner refrigerado enviado ao Porto de Las Palmas, na Espanha. A droga foi colocada em uma área estratégica do equipamento para dificultar a detecção por scanners e cães farejadores durante as inspeções alfandegárias, segundo a PF.

A operação, porém, acabou comprometida após Fábio Rodrigues Ulhoa Cintra, conhecido como "Sapão", descobrir que o contêiner havia sido selecionado para fiscalização. Ele alertou imediatamente os demais integrantes do grupo, desencadeando uma tentativa urgente de retirada da cocaína antes da inspeção das autoridades espanholas.

Após receber o aviso, "Lelinho" teria sido acionado para coordenar a remoção da droga já dentro da área controlada do porto espanhol. A tentativa fracassou devido ao forte esquema de segurança e ao controle de acesso no terminal portuário.

As autoridades aduaneiras da Espanha acabaram localizando e apreendendo 14,268 quilos de cocaína no contêiner. Para a PF, o episódio demonstrou a capacidade da organização de operar de forma transnacional, com monitoramento remoto de cargas ilícitas em portos estrangeiros, uso de logística especializada e comunicações criptografadas para acompanhar as operações em tempo real.

Mobydick

Uma das principais operações do grupo ocorreu em julho de 2020 com o uso do veleiro "Mobydick" para transportar cocaína do litoral paulista até Las Palmas, na Espanha. A embarcação pertencia ao mafioso sérvio Antun Mrdeza, conhecido como "Nikola Boros" ou "John Gotti", apontado como um dos líderes da organização criminosa investigada.

Preso desde maio de 2025 na Venezuela, Mrdeza não atua apenas como financiador do tráfico internacional, segundo a PF. Os investigadores afirmam que ele comanda remessas de cocaína para a Europa, supervisiona operações, cobra resultados e investe recursos próprios para ampliar os lucros da organização criminosa.

A Polícia Federal afirma que relatórios de inteligência e informações obtidas com fontes internacionais identificam o mafioso sérvio como integrante da chamada "New Drug Trafficking Board", descrita por autoridades colombianas como um novo centro global de comando do narcotráfico. A estrutura seria usada para coordenar alguns dos maiores carregamentos de cocaína do mundo e já é alvo de investigações em ao menos sete países.

O veleiro "Mobydick" era comandado pelo capitão sueco Axel Bertil Eriksson, que atravessou o oceano até o Brasil e chegou ao Recife em março daquele ano. Depois, seguiu para Ilhabela, no litoral de São Paulo, onde a embarcação passou pelos preparativos finais antes da saída rumo à Europa.

As investigações apontam que a cocaína destinada ao "Mobydick" estava ligada a uma carga de 490,8 quilos da droga apreendida pelas autoridades brasileiras em uma aeronave PT-RAS, em Fernandópolis, no interior paulista.

Para a PF, a conexão revelou uma cadeia logística sofisticada, na qual a cocaína era transportada por via aérea até pontos de armazenamento no interior do País e depois levada ao litoral para exportação marítima. A carga, segundo a PF, pertencia ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

A apreensão da droga e problemas técnicos no veleiro atrasaram a partida da embarcação e provocaram atritos entre integrantes brasileiros da organização e o capitão estrangeiro. Após reorganizar a operação e recompor a carga ilícita, o grupo conseguiu concluir o embarque da cocaína e iniciar a travessia em 30 de julho de 2020.

Segundo a PF, a operação no Brasil contou com uma ampla estrutura de apoio em terra coordenada por "Lelinho". Também integravam o núcleo logístico "Sapão", Walter Pires Junior, conhecido como "Waltinho", e Klaus de Castro Rios Motta e Silva, responsáveis por fornecer suporte operacional para a preparação e saída da embarcação rumo à Europa.

Praia do Góes

Uma apreensão realizada na Praia do Góes, no Guarujá, em julho de 2020, atingiu diretamente a estrutura de armazenamento da organização criminosa no Brasil. Segundo a PF a operação revelou um imóvel usado como entreposto da quadrilha e resultou na apreensão de 321 quilos de pasta base de cocaína.

As investigações apontam que a droga estava sob responsabilidade direta de "Lelinho", descrito pela PF como responsável pela segurança e pela gestão do estoque de entorpecentes no País.

A carga pertenceria a diferentes integrantes da cúpula do esquema, entre eles o mafioso sérvio Antun Mrdeza, e Alejandro Salgado Vega, o "Tigre", que teriam cobrado explicações de "Lelinho" após a perda da droga.

A PF afirma que a primeira ação policial não encontrou todo o entorpecente porque a cocaína estava dividida entre dois imóveis distintos. Ao perceber que parte da carga ainda não havia sido localizada, "Lelinho" teria reagido rapidamente para evitar novas perdas.

Segundo os investigadores, ele acionou imediatamente seus homens de confiança, "Waltinho", e Klaus de Castro Rios Motta e Silva, ordenando a retirada e ocultação de 219 tijolos de cocaína que estavam em deslocamento para São Sebastião, no litoral paulista. A operação de retirada foi concluída com sucesso, episódio que, para a PF, demonstrou a capacidade de reação da organização criminosa e a autoridade exercida por "Lelinho" dentro do grupo.

Adrienne

Segundo a Polícia Federal, a organização criminosa tentou resgatar cerca de 175 quilos de cocaína transportados pelo navio Adrienne na região da Calábria, na Itália, em uma operação internacional monitorada em tempo real pelos integrantes do grupo. A estratégia consistia em esconder a droga em um compartimento selado do cargueiro ainda no Brasil para, depois, recuperar a carga ilícita em alto-mar durante a rota europeia da embarcação.

As investigações apontam que Pedro Alonso Camacho Fernandez, o "Vince", era o principal responsável pela coordenação da operação no território europeu. Segundo a PF, ele mantinha contato direto com tripulantes do navio e com as equipes encarregadas do resgate da droga, transmitindo coordenadas de GPS e instruções operacionais detalhadas para os integrantes posicionados no oceano.

A apuração também identificou a criação de um grupo específico na plataforma criptografada SKY ECC voltado exclusivamente à coordenação da operação de resgate. A ação era acompanhada de perto pelos líderes Alejandro Salgado Vega, o "Tigre", e o mafioso sérvio Antun Mrdeza, apontados como coproprietários da carga de cocaína.

Apesar da estrutura montada pela organização criminosa, o resgate fracassou. As autoridades italianas conseguiram localizar e apreender 216,68 quilos de cocaína a bordo do navio Adrienne quando a embarcação estava atracada no Porto de Ancona, na Itália.

Barbara

O chamado "Evento Barbara" repetiu o mesmo modelo operacional usado pela organização criminosa em outras remessas internacionais de cocaína. O plano previa o embarque de cerca de 300 quilos da droga no navio Barbara e posterior resgate da carga em alto-mar durante a rota europeia da embarcação.

As investigações apontam que a inserção da cocaína no cargueiro foi coordenada por Pedro Alonso Camacho Fernandez, o "Vince", em parceria com Antônio Greg Ribeiro Pinheiro, conhecido como "Fisherman". Já a etapa de recuperação da droga no exterior teria sido supervisionada novamente por Alejandro Salgado Vega, o "Tigre".

Segundo a PF, a missão acabou afetada após a apreensão de cocaína no "Evento Adrienne", ocorrido anteriormente no Porto de Ancona, na Itália. A ação das autoridades italianas teria provocado pânico entre os tripulantes do navio Barbara, levando o capitão da embarcação a ordenar que as bolsas contendo a droga fossem lançadas ao mar antes da aproximação da equipe encarregada do resgate.

Após o descarte da carga, os integrantes da organização tentaram localizar a cocaína no oceano, mas sem sucesso. De acordo com a PF, "Vince" chegou a usar um cartão de crédito em seu próprio nome para ativar o sistema de GPS instalado nas bolsas usadas para rastrear a droga, porém o equipamento não foi encontrado.

Dias depois, em outubro de 2020, autoridades europeias registraram a descoberta de 300 pacotes de cocaína encontrados por banhistas na praia de Borssele, na província da Zelândia, na Holanda. A PF aponta que a carga tinha ligação direta com a operação frustrada envolvendo o navio Barbara.

Fonte: Estadão Conteúdo


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terça-feira, 9 de junho de 2026

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POLÍCIA FEDERAL DESARTICULA TRÁFICO INTERNACIONAL DE DROGAS EM TRÊS ESTADOS


Operação Narco Sky é um desdobramento da Operação Narco Vela

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na última terça-feira (2/6), a Operação Narco Sky - desdobramento da Operação Narco Vela - para desarticular uma organização criminosa (ORCRIM) especializada no tráfico internacional de drogas.

As investigações, desenvolvidas com apoio de mecanismos de cooperação jurídica internacional, identificaram uma estrutura criminosa voltada ao transporte de carregamentos de entorpecentes do Brasil para países da Europa e da África, mediante rotas marítimas internacionais.

Cerca de 30 policiais federais cumpriram 10 mandados de prisão preventiva e 3 de busca e apreensão expedidos pela 5ª Vara Federal de Santos/SP, em endereços localizados nos estados de São Paulo, do Rio Grande do Sul e do Pará.

A Justiça Federal também determinou o bloqueio e o sequestro de mais de R$ 631 milhões em bens e valores. A decisão autorizou ainda a inclusão de investigados na Difusão Vermelha da Interpol, diante da existência de foragidos estrangeiros procurados por forças policiais de outros países por suposto envolvimento com o tráfico internacional de drogas.

SAIBA MAIS: PF DEFLAGRA OPERAÇÃO CONTRA O TRÁFICO INTERNACIONAL DE DROGAS COM O USO DE BARCOSE VELEIROS

PF investiga ligação de 'Capo' da máfia italiana com PCC para tráfico de drogas

Um dos alvos é o mafioso sérvio Antun Mrdeza, conhecido mundialmente como "Nikola Boros" por operações de tráfico na América do Sul. Ele é apontado como integrante da máfia italiana 'Ndrangheta', que teria se aliado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) para operar no País.

Preso desde maio de 2025 na Venezuela, Mrdeza não atua apenas como financiador do tráfico internacional, segundo a Polícia Federal. Os investigadores afirmam que ele comanda remessas de cocaína para a Europa, supervisiona operações, cobra resultados e investe recursos próprios para ampliar os lucros da organização criminosa.

A Polícia Federal afirma que relatórios de inteligência e informações obtidas com fontes internacionais identificam o mafioso sérvio como integrante da chamada "New Drug Trafficking Board", descrita por autoridades colombianas como um novo centro global de comando do narcotráfico. A estrutura seria usada para coordenar alguns dos maiores carregamentos de cocaína do mundo e já é alvo de investigações em ao menos sete países.

'Evento Mobydick'

Segundo a investigação, Antun Mrdeza participou diretamente de uma operação internacional de tráfico de cocaína realizada em 2020 com o uso do veleiro "Mobydick". A embarcação saiu de Ilhabela, no litoral paulista, em direção a Las Palmas, na Espanha, carregada com cocaína destinada ao mercado europeu.

O veleiro era comandado pelo capitão sueco Axel Bertil Eriksson, que atravessou o Atlântico até o Brasil e chegou ao Recife em março daquele ano. Depois, seguiu para Ilhabela em maio de 2020, onde a embarcação passou pelos preparativos finais para receber a droga e iniciar a travessia internacional.

A PF afirma que a carga de cocaína destinada ao "Mobydick" estava ligada a um carregamento de 490,8 quilos da droga apreendido pela polícia brasileira em uma aeronave PT-RAS, em Fernandópolis, no interior de São

multimodal, na qual a cocaína era transportada inicialmente Paulo. A carga pertencia ao PCC, segundo investigadores.

Para a polícia, a conexão revelou uma "sofisticada cadeia logística por via aérea até pontos de concentração no interior do País e, depois, levada ao litoral para exportação marítima rumo à Europa".

A apreensão da droga e problemas técnicos no veleiro provocaram atrasos na operação e geraram atritos entre os integrantes da organização criminosa, principalmente entre operadores brasileiros e o capitão estrangeiro responsável pela embarcação. Após reorganizar a carga e solucionar os entraves técnicos, o grupo conseguiu concluir o embarque da cocaína e iniciar a viagem em 30 de julho de 2020.

As investigações apontam que a operação no Brasil contou com uma ampla estrutura de apoio em terra coordenada por um investigado conhecido como Marco Aurélio de Souza, o "Lelinho". Ele é um dos alvos de prisão preventiva desta operação.

Também integravam o núcleo logístico apelidado pela PF de "equipe de suporte" nomes como "Sapão", Walter Pires Junior, o "Waltinho", e Klaus de Castro Rios Motta e Silva. Segundo os investigadores, eles eram responsáveis por garantir toda a infraestrutura necessária para a preparação do veleiro e o sucesso da travessia internacional da droga.

"Waltinho" e Klaus também são alvo de prisão da Polícia Federal. A reportagem busca contato com a defesa dos citados.

Nikola Boros e Jhon Gotti

A Polícia Federal e a Interpol registram que, além de usar o nome "Nikola Boros", o megatraficante Antun Mrdeza também é conhecido no submundo do crime como "John Gotti", em referência ao gângster norte-americano que liderou a família Gambino, considerada o "sindicato do crime" mais poderoso de Nova York nas décadas de 1980 e 1990.

A atuação de Mrdeza no tráfico de cocaína ganhou repercussão mundial após uma fuga cinematográfica no aeroporto de Rionegro, na Colômbia, em 2023. Segundo a Polícia Federal, o sérvio entrou no país usando a identidade falsa de "Nikola Boros" e chegou a ser capturado por ser alvo de uma ordem de prisão internacional.

No momento em que seria expulso da Colômbia, porém, conseguiu escapar do aeroporto com apoio externo e em meio a disparos, episódio que, segundo os investigadores, "evidencia sua elevada capacidade logística, proteção armada e rede de apoio típica de organizações criminosas de alto nível".

Pivô de embate diplomático

A prisão de Antun Mrdeza na Venezuela em maio de 2025 transformou o caso em um tema sensível da diplomacia internacional.

Autoridades dos Estados Unidos vinculam o sérvio ao narcotraficante colombiano Giovanny Andrés Rojas, o "Araña", apontando que ambos teriam formado uma aliança para enviar grandes carregamentos de cocaína por algumas das principais rotas globais do tráfico.

Washington já formalizou pedidos de extradição para que Mrdeza seja levado a um presídio de segurança máxima nos EUA, mas a captura do mafioso em território venezuelano, em meio às tensões políticas entre Caracas e Washington, tornou o caso um impasse diplomático.

Veja o nome dos outros oito alvos da operação:

  • Marco Aurélio de Souza, conhecido como Lelinho
  • Pedro Alonso Camacho Fernandez, o Vince
  • Rafael Gonçalves Sayão, o Cabelinho
  • Antônio Greg Ribeiro Pinheiro, o Fisherman
  • Fábio Rodrigues Ulhoa Cintra, o Sapão
  • Walter Pires Junior, o Waltinho           
  • Ivan de Freitas Santos
  • Klaus de Castro Rios Motta e Silva

Os investigados poderão responder, em tese, pelos crimes de organização criminosa, de tráfico internacional de drogas e de associação para o tráfico.

 

A nossa missão é manter informado àqueles que nos acompanham, de todos os fatos, que de alguma forma, estejam relacionados com a Segurança Portuária em todo o seu contexto (Safety/Security). A matéria veiculada apresenta cunho jornalístico e informativo, inexistindo qualquer crítica política ou juízo de valor.    

* Texto: O texto deste artigo relata acontecimentos, baseado em fatos obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis e dados observados ou verificados diretamente junto a colaboradores.

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