Sete brasileiros, um sérvio, um espanhol e um colombiano são apontados como integrantes de uma organização criminosa
O Ministério Público
Federal (MPF) denunciou dez homens apontados como integrantes de uma
organização criminosa especializada no tráfico internacional de cocaína do
Brasil para países da Europa e da África, por meio de rotas marítimas. Conforme
destacado no documento, obtido pelo g1 na última quarta-feira (1º), o grupo
teria ligação com a máfia italiana 'Ndrangheta.
De acordo com a
Polícia Federal, sete brasileiros, um sérvio, um espanhol e um colombiano
teriam transportado mais de duas toneladas da droga em apenas um ano. Por isso,
eles foram alvos da Operação Narco Sky, deflagrada pela corporação como um
desdobramento da Operação Narco Vela.
Relembre
A Operação Narco
Vela investiga o uso de embarcações equipadas para atravessar o oceano
Atlântico com entorpecentes. A ação gerou desdobramentos, entre eles a Operação Narco Fluxo, que repercutiu nacionalmente após ter como alvo os funkeiros MC
Ryan SP e MC Poze do Rodo, além do empresário Rodrigo Morgado. Eles não são
investigados na Operação Narco Sky.
O MPF ofereceu a
denúncia contra os homens, pedindo para que eles sejam condenados por tráfico
internacional de drogas; associação para o tráfico transnacional; e promoção e
integração de organização criminosa transnacional.
"As
investigações também apontaram vínculos operacionais entre essa estrutura e
organizações criminosas de abrangência global, como a 'Ndrangheta, máfia
italiana com presença em diversos países, circunstância que acentua a gravidade
concreta da atuação criminosa", destacou a denúncia.
O órgão federal
acrescentou que os denunciados exerceram funções previamente definidas e
essenciais para o funcionamento da organização criminosa. "As provas
reunidas demonstram que suas condutas não consistiam em colaborações
ocasionais, mas integravam uma estrutura estável e permanente, organizada para
a prática reiterada de tráfico internacional de drogas", ressaltou o MPF.
Operação Narco Sky
A 5ª Vara Federal de
Santos (SP) expediu dez mandados de prisão preventiva e três de busca e
apreensão contra os homens. As ordens judiciais fazem parte da Operação Narco
Sky, deflagrada no último dia 2, em endereços localizados nos estados de São
Paulo, do Rio Grande do Sul e do Pará.
A decisão também determinou o bloqueio e o sequestro de mais de R$ 631 milhões em bens, valores e criptoativos vinculados aos envolvidos. A quantia corresponde a três toneladas de cocaína apreendidas no veleiro que deu origem à Operação Narco Vela.
"Ficou evidenciado a existência de uma estrutura hierarquizada, com especialização técnica e alta capacidade de articular operações transnacionais realizadas, inclusive, com a organização mafiosa italiana 'Ndrangheta, com integração logística, comunicação segura e recursos patrimoniais", afirmou a decisão, destacando que a máfia é reconhecida pela presença em mais de 40 países.
Cooperação internacional
As autoridades
francesas compartilharam provas por meio de uma cooperação jurídica
internacional. Desta forma, a PF teve acesso aos dados apreendidos nos
servidores da SKY ECC, uma plataforma de comunicação criptografada.
"Segundo
apurado, a referida plataforma foi amplamente utilizada pelos investigados com
o propósito de ocultar tratativas criminosas referentes a diversas partidas de
cocaína à Europa, mediante a utilização de criptografia avançada, com o
desiderato específico de dificultar a interceptação e rastreamento das
comunicações por autoridades estatais", explicou a decisão.
A análise do
material obtido permitiu a identificação de ao menos sete casos ocorridos em
2020, totalizando o transporte ilegal de 2,3 toneladas de cocaína por meio de
navios, em portos do Brasil e também da Espanha, Itália e Holanda.
Uma das ocorrências aconteceu no Porto de Santos com a inserção de 80 kg de cocaína em um navio, em 30 de março de 2020.
Houve também a apreensão de 321 kg de pasta base da droga em um imóvel em Guarujá (SP), em 8 de julho daquele ano. Neste caso, os
envolvidos souberam da ação policial e trocaram o esconderijo da outra parte da
carga que estava dividida em 219 tijolos.
"Foi
identificado um núcleo de direção e financiamento localizado fora do país que
providencia recursos e toma decisões estratégicas; um comando nacional
responsável pela coordenação logística em território brasileiro; e células
operacionais encarregadas do preparo, armazenamento e movimentação física da
droga", ressaltou a decisão.
Alvos da operação
Além de expedir os
mandados, a 5ª Vara Federal autorizou a inclusão de dois homens na Difusão
Vermelha da Interpol. A decisão foi tomada diante da possibilidade de o sérvio
Antun Mrdeza, conhecido como Nikola Boros ou Jhon Gotti, e do colombiano Pedro
Alonso Camacho Fernandez, o Vince, estarem fora do Brasil.
Ainda de acordo com
a decisão, o sérvio Antun e o espanhol Alejandro Salgado Vega, o Tigre, são
considerados lideranças europeias do grupo.
A PF ainda
identificou Antun como integrante de um novo centro de comando global do
narcotráfico, apontado por autoridades colombianas como uma rede interconectada
utilizada para movimentar os maiores carregamentos de cocaína do mundo,
possuindo investigações em ao menos sete países.
Veja o nome dos outros sete envolvidos, que foram presos:
- Marco Aurélio de Souza, conhecido como Lelinho
- Rafael Gonçalves Sayão, o Cabelinho
- Antônio Greg Ribeiro Pinheiro, o Fisherman
- Fábio Rodrigues Ulhoa Cintra, o Sapão
- Walter Pires Junior, o Waltinho
- Ivan de Freitas Santos
- Klaus de Castro Rios Motta e Silva
Fonte: g1 Santos e Região
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