Postagem em destaque

NO PODCAST PORTO&GENTE CONTEI UM POUCO DA MINHA HISTÓRIA NO PORTO DE SANTOS

Uma trajetória de mais de 30 anos, com atuação na Receita Federal, na Guarda Portuária, nas áreas sindical, cooperativista, beneficente e em...

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

0

ONU: TRÁFICO DE COCAÍNA MIGRA PARA PORTOS MENORES DO BRASIL

 Polícia Federal durante a Operação Maritimum - Foto: Polícia Federal

O Porto de Santos aparece em uma lista de quatro lugares que se destacam no comércio marítimo global de drogas

A Polícia Federal do Brasil (PFB), durante a Operação Maritimum, em 13 de julho de 2022, visou desarticular uma organização criminosa do tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro nos portos, principalmente, em Natal, no Rio Grande do Norte; Salvador, na Bahia; e no Porto de Santos, em São Paulo.

A cidade de Santos, no estado de São Paulo, com o maior porto da América Latina, aparece em uma lista de quatro lugares que se destacam no comércio marítimo global de drogas. A informação está no relatório global do Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crime (UNODC), divulgado no início de julho. Mas o relatório revelou também que portos menores, localizados na parte norte do Brasil estão assumindo um papel cada vez mais importante como entrepostos para o comércio transatlântico de cocaína, principalmente para os carregamentos destinados à Europa.

O relatório não indica quais são esses portos e nem esclarece em que estados do norte/nordeste estão localizados, mas informa que os traficantes estão recorrendo a essas alternativas devido ao aumento da fiscalização no Porto de Santos. Para o pesquisador Thiago Moreira de Souza Rodrigues, do Programa de Pós-Graduação em Estudos Estratégicos de Defesa e Segurança da Universidade Federal Fluminense, a indústria do tráfico de drogas está sofrendo o efeito balão, uma metáfora relativa a que, quando há fiscalização e apreensão em um lugar, o tráfico infla em outro.

“O Porto de Santos, com esse grande dinamismo, infraestrutura muito bem desenvolvida e milhares de navios circulando semanalmente, obviamente é de grande interesse do narcotráfico. O aumento da repressão e da vigilância faz com que o narcotráfico, que sempre o fez e continua fazendo, abra ou fortaleça outras rotas. As do nordeste têm se fortalecido à medida que as do sudeste ficam mais vigiadas”, explicou o pesquisador. “Há outros portos altamente preparados no nordeste do país, como os de Recife, Fortaleza e Salvador, para poder fazer esse trânsito para a África e para a Europa, principalmente pelos portos ibéricos, como Portugal, Espanha via Ilhas Canárias, ou sul da Itália e da França, que tem recebido esse fluxo via Atlântico”, acrescentou Rodrigues.

Dados enviados pela Polícia Federal (PF) à Diálogo confirmam as declarações do pesquisador. O Porto de Santos não perdeu sua importância estratégica para o negócio ilícito. É onde ocorre o maior número de apreensões de cocaína, embora com tendência de queda. Foram 20,87 toneladas em 2020 e 17,39 toneladas em 2021. Já a situação nos portos da região nordeste mudou bastante. O Porto de Recife, no estado de Pernambuco, que não registrou apreensão em 2020, em 2021 foram apreendidas 2,2 toneladas de cocaína. Os casos de Fortaleza e Natal, respectivamente nos estados do Ceará e Rio Grande do Norte, são ainda mais emblemáticos. Não houve registro de apreensões nos dois lugares de 2009 a 2018. Já em 2020 foram 673 quilos e, em 2021, 832,6 kg, em Fortaleza. Em Natal, foram 943 kg, em 2020, e 2,3 toneladas, em 2021. Em Ilhéus, na Bahia, não houve registros de apreensões de 2009 a 2019. Já em 2020, foram 2,1 toneladas.

   Uma operação conjunta entre a Receita Federal e a Polícia Federal, em 24 de maio de 2022, apreendeu mais de 637 kg de cocaína no Porto de Salvador, Bahia. A droga estava dentro de uma carga de rolos de polímero (material usado para embalagem de mercadorias). (Foto: Receita Federal do Brasil)

O relatório mostra que o Brasil é citado como o principal exportador de cocaína para fora do continente americano, ficando à frente até mesmo da Colômbia, do Peru e da Bolívia, os três grandes produtores dessa droga no mundo. Brasil, Colômbia e Equador são apontados como os principais pontos de saída da cocaína que chega à Europa.

Os dados mais uma vez correspondem aos informados pela PF à Diálogo. Em 2020, os principais destinos das drogas apreendidas em portos brasileiros foram, por ordem de quantidades, Bélgica, Holanda, Espanha, Alemanha, Itália e França. Já em 2021, Moçambique substituiu a Alemanha no quarto lugar e Gana ocupou o sexto lugar, os dois na África.

De acordo com o relatório da UNODC, de 2015 a 2021, 70 por cento da cocaína apreendida na África e 46 por cento dos carregamentos apreendidos na Ásia saíram do continente americano por meio do Brasil. Em 2020 e 2021, o país chegou a responder por 72 por cento da cocaína encontrada pelas autoridades asiáticas.

“Nos últimos seis, sete anos, o relatório já tem mostrado essa tendência dupla do Brasil, tanto de ser o principal corredor de exportação de cocaína para a Europa, como também um dos maiores polos consumidores dessa droga no mundo, ficando atrás apenas dos EUA”, afirmou Rodrigues. Para o pesquisador, isso se deve a algumas razões, entre elas, a proximidade geográfica com os países produtores de cocaína; a de trânsito – o Brasil é um país projetado no Atlântico Sul em direção à África e, portanto, em direção à Europa; e a estrutura do crime organizado do Brasil, que é suficientemente bem montada para poder fazer a conexão entre as organizações produtoras nos países andinos e os grandes distribuidores internacionais.

       A Receita Federal apreendeu, em 15 de junho de 2022, 268 kg de cocaína escondidos em uma carga de piso cerâmico, no Porto de Suape, no Grande Recife. (Foto: Receita Federal do Brasil)

“O Brasil também é um país bem conectado com a globalização internacional, com portos bem movimentados, como Santos, Rio de janeiro, do nordeste, tanto os grandes de importação de minério de ferro como os que recebem a economia de contêineres internacionais. E é nessa dinâmica, nesse fluxo da economia legal, globalizada, que também circula a economia ilegal. Quanto mais há trânsito de economia legal mais há de economia ilegal”, completou o pesquisador.

LEIA TAMBÉM: ESTUDO MOSTRA IMPACTO DA PANDEMIA SOBRE ROTAS DE COCAÍNA NO BRASIL

Fonte: Por Nelza Oliveira - Diálogo


Esta publicação é de inteira responsabilidade do autor e do veículo que a divulgou. A nossa missão é manter informado àqueles que nos acompanham, de todos os fatos, que de alguma forma, estejam relacionados com a Segurança Portuária em todo o seu contexto. A matéria veiculada apresenta cunho jornalístico e informativo, inexistindo qualquer crítica política ou juízo de valor.      

* Direitos Autorais: Os artigos e notícias, originais deste Portal, tem a reprodução autorizada pelo autor, desde que, seja mencionada a fonte e um link seja posto para o mesmo. O mínimo que se espera é o respeito com quem se dedica para obter a informação, a fim de poder retransmitir aos outros.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Os comentários publicados não representam a opinião do Portal Segurança Portuária Em Foco. A responsabilidade é do autor da mensagem. Não serão aceitos comentários anônimos. Caso não tenha conta no Google, entre como anônimo mas se identique no final do seu comentário e insira o seu e-mail.

LEGISLAÇÕES