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sexta-feira, 8 de julho de 2022

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ANDRÉ DO RAP COMANDA O TRÁFICO NA AMÉRICA DO SUL E LIDERA FACÇÃO CRIMINOSA, MESMO FORAGIDO HÁ QUASE 2 ANOS, DIZ DELEGADO


Autoridades comentam sobre onde o criminoso pode estar e qual a relevância do Porto de Santos para o tráfico internacional da drogas

O narcotraficante André Oliveira Macedo, mais conhecido como André do Rap, é um dos criminosos mais procurados do mundo. Neste mês, completou 600 dias que o criminoso, que morou em Guarujá, no litoral de São Paulo, está foragido.

Ele é procurado desde outubro de 2020, quando foi solto da prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O delegado que participou da prisão do traficante, em 2019, fez declarações inéditas sobre o caso. Segundo ele, a principal facção criminosa do Estado de São Paulo teria crescido na Baixada Santista, principalmente, por conta do Porto de Santos.

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Segundo o diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) Fábio Caipira, André do Rap continua fomentando o tráfico de drogas e tem a rota de envio da droga de São Paulo, através do Porto de Santos, para a Europa. “Ele, nas ruas, representa isso aí. Disseminação de drogas provenientes da América do Sul para o mundo inteiro”, disse a autoridade, que participou da prisão do criminoso, ocasião em que era delegado.

Apontado como um dos chefes da facção criminosa, que atua dentro e fora dos presídios de São Paulo, André do Rap deveria ter retornado ao endereço em Santos, que ele tinha dado à Justiça. Segundo Caipira, André nunca chegou ao endereço na cidade santista.

“Ele saiu da penitenciária de Venceslau, já foi embora para o Paraná e nunca mais apareceu. E agora nós temos este problema nas mãos que é prendê-lo outra vez. Não acredito que ele esteja escondido na Baixada. Eu acho que ele pode até comparecer na Baixada vez ou outra por causa dos negócios”, disse Caipira em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Rede Globo.

O promotor do Ministério Público de São Paulo (MP), Lincoln Gakiya, afirmou à TV Tribuna que acredita que André do Rap esteja na Bolívia. Mas, segundo ele, os policiais brasileiros não têm autorização para ingressar naquele país e fazer as buscas.

"Por outro lado, a própria polícia da Bolívia não colabora indicando onde estaria o André. Então, vejam a dificuldade que é a falta de colaboração do governo da Bolívia com as autoridades brasileiras. Lembrando que o Brasil fez tratados de cooperações vigentes com a Bolívia, que, infelizmente, não são cumpridas”, explica Gakiya.

Esquema – 17 empresas (quadrilhas)

O diretor do Deic acrescenta que André fez declarações para ele de como funcionava o tráfico internacional na Baixada Santista, quando preso pela primeira vez. Segundo relatado pela autoridade, uma pessoa passava as drogas para André, em Cubatão ou Guarujá, e ele encaminhava para fora do país. Caso os entorpecentes fossem apreendidos pela Receita Federal, André ressarcia o traficante.

“Quando ele foi preso, eu vim conversando no helicóptero que ele estava usando de Angra dos Reis para São Paulo. Ele conversou informalmente. Disse que igual ele existiam mais 16 empresas. Eles se denominavam empresas que fazem o tráfico internacional de drogas. Através do Porto de Santos, de Itajaí e de outros portos do Brasil. E ele dizia que ele era o que tinha mais respeito porque garantia a entrega”.

Tráfico de drogas no Porto de Santos

O promotor MP, Lincoln Gakiya, afirmou que a organização criminosa hoje é a maior facção do Brasil e da América do Sul, com cerca de 40 mil integrantes. Segundo ele, a Baixada Santista é muito importante para a facção, pois, é do Porto de Santos que sai quase toda a cocaína que é traficada para a Europa.

“A Baixada sempre foi importante para o Primeiro Comando da Capital - PCC porque ela tem pontos de tráfico muito interessantes para a facção, com pontos de venda que geram muito lucro interno, e também criminosos importantes. Então, ela sempre teve um destaque no PCC e na arrecadação de recursos, não só pelo tráfico internacional, mas também pelo tráfico interno que é muito importante pra facção”, explicou.

O diretor do Deic, Fábio Caipira, ressaltou o quanto o PCC cresceu na Baixada Santista por conta do Porto de Santos. “Eles [os traficantes] viram que fazer o tráfico internacional de drogas é tão mais rentável do que o tráfico no varejo dentro das comunidades. Eu acho que isso que fez com que eles procurassem a Baixada. Com este acúmulo de traficantes tentando fazer o tráfico internacional, acabou fazendo o partido crescer na região”.

Gakiya comenta que André do Rap tem vínculos importantes na região portuária, isso faz com que ele consiga contatos e acione estivadores, servidores e até tripulantes de navios que facilitam o acesso ao Porto de Santos.

“Então, o André do Rap, mesmo foragido há mais de 600 dias, é um dos mais importantes integrantes do PCC, até porque os demais acabaram sendo presos. Um pequeno traficante, na região do Guarujá, se tornou um dos mais poderosos narcotraficantes do país e da América do Sul”.

Quem é André do Rap

Apontado como um dos chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC), o traficante André Oliveira Macedo, foi preso em setembro de 2019 e foi solto em outubro de 2020.

André deixou a Penitenciária de Presidente Venceslau, no interior paulista, após ter um habeas corpus concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello. Horas depois, o presidente do STF, Luiz Fux, suspendeu a decisão e determinou o retorno de André à prisão.


Prisão em 2019

André do Rap foi preso em setembro de 2019, em uma operação feita pela Polícia Civil de São Paulo em um condomínio de luxo em Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro, e é investigado por gerenciar o envio de grandes remessas de cocaína à Europa. Ele chegou a morar no exterior. Antes disso, tinha ficado preso por 7 anos, até 2014. Em 2019, quando preso, ele chegou a São Paulo no próprio helicóptero.

Ele era procurado pela Interpol [polícia internacional] e a operação contou com uma equipe de 23 policiais do Garra, o Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos, do Gope, o Grupamento de Operações Penitenciárias Especiais e da Divisão Antissequestro.

André do Rap foi encontrado em um condomínio de luxo no bairro Itanema, que fica às margens da BR-101 (Rodovia Rio-Santos).

Na residência, foram apreendidos dois helicópteros, um deles avaliado em R$ 7 milhões e uma lancha de 60 pés, avaliada em R$ 6 milhões. A casa era alugada, mas ele tinha uma mansão na cidade, fora de um condomínio.

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Lancha ajudou a encontrá-lo

A lancha foi um dos elementos que ajudaram a polícia a localizá-lo em 2019. Os investigadores descobriram que uma empresa de fachada comprou a embarcação, e a pessoa responsável era alguém que não tinha rendimentos o suficiente para arcar com os valores.

"Ela está em nome de um empresário que tem uma moto CG [um dos modelos mais básicos de moto]. Como um cara que tem uma moto CG tem uma lancha de R$ 6 milhões? A gente acredita que ele usava essas pessoas como “laranjas” para lavar o dinheiro dele", disse na ocasião Fábio Pinheiros Lopes, delegado da Divisão Antissequestro.

André do Rap era dono de um sítio investigado pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) em Bertioga.

Segundo o Deic, ele substituiu Wagner Ferreira, o “Cabelo Duro”, assassinado na porta de um hotel no bairro do Tatuapé, Zona Leste, logo depois das mortes de Gegê do Mangue e do Paca, no Ceará. Segundo a polícia, até 2018, o tráfico de Santos era comandado por Gegê do Mangue.

André já era conhecido da polícia e ficou sete anos e meio preso, até ser solto em 2008.

As condenações por tráfico

Ele estava preso por duas condenações em segunda instância por tráfico internacional de drogas, com penas que totalizam 25 anos, nove meses e cinco dias de reclusão em regime fechado.

O esquema de tráfico que envolvia André foi descoberto em 2013, considerado um dos maiores esquemas de remessa de cocaína do Brasil ao exterior pelo porto santista.

Investigações da Polícia Federal resultaram nas apreensões de 3,7 toneladas da droga, no país e fora dele, entre janeiro de 2013 e março de 2014. Também foi apurado o vínculo do PCC com a máfia italiana "Ndrangheta".

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ações penais para cada uma das apreensões, que denominou de “eventos”. O traficante estava envolvido em dois deles.

Em um, chamado de evento nº 2, houve a interceptação de 84 quilos de cocaína, em 23 de agosto de 2013. A droga seria despachada no navio MSC Vigo para o porto espanhol de Valência

No outro, chamado evento nº 13, foram apreendidos, em 17 de dezembro de 2013, 145 quilos de cocaína que seriam levados no navio MSC Athos ao Porto de Las Palmas, nas Ilhas Canárias, Espanha.

Fonte: Por Rodrigo Nardelli, g1 Santos


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